Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BAGOS DE MILHO

COMIDA PARA AVES e OUTROS MAMÍFEROS EM RAÇÕES DE IMAGINAÇÃO COM SORRISOS À MISTURA

BAGOS DE MILHO

COMIDA PARA AVES e OUTROS MAMÍFEROS EM RAÇÕES DE IMAGINAÇÃO COM SORRISOS À MISTURA

UM AZAR NUNCA VEM SÓ!

Tudo começou com um azar do caraças.

Antes que o relógio marcasse as cinco horas da manhã já eu estava sentado no carro com o volante à minha frente e preparado para “arrancar”.

Mas faltava-me a chave que deixara em casa sobre a mesa da cozinha onde estivera a beber um café nexpresso-Roma!

Já antes, e ao levantar-me da cama, sem acender a luz do candeeiro da mesinha de cabeceira, bati com o dedo mínimo do meu pé esquerdo num dos pés da cómoda o que me obrigou a gritar diversas e variadas interjeições de “alívio” e me levou a coxear até ao WC.

Após aliviar-me, pretendi aliviar a sanita do que lá depositei porém de água nem pinga; esquecera-me de pagar e factura no último dos últimos dias que tinha sido três dias antes. Abandonei a matéria em repouso e fui beber o café que fiz aproveitando um resto de água do luso que, na garrafa de plástico original, desde a passada semana descansava no frigorífico.

Saí tendo o cuidado de não bater com a porta; contudo a corrente d’ar foi mais forte que eu e… catrapum!

Ainda ouvi um resmungar de protesto vindo do quarto, mas nem liguei. Desci as escadas e entrei no carro que estacionara na garagem privada no dia anterior e cujas portas nunca trancava por isso mesmo: ser uma garagem privada. Quem é que tranca o carro na própria garagem?

Saí do carro deixando a porta aberta, subi as escadas e…

Porra, e as chaves?

Já sei: estão sobre a mesa da cozinha junto com as do carro.

Bati levemente na porta à espera que ela me ouvisse para a abrir, mas ao mesmo tempo sem grande barulho para que ela não acordasse. (??)

Nada; nem rumor!

Voltei a bater.

Nada.

Bati mais uma vez.

O mesmo resultado: nada!

E o tempo a passar e eu cada vez mais atrazado.

Bati novamente e desta vez com mais força.

-QUEM É?, gritou ela lá do quarto e seguramente sem se levantar.

-Sou eu…

-O QUE É QUE QUERES? DEIXA-ME DORMIR…

-Preciso de entrar e esqueci-me das chaves… disse eu num sussurro.

-O QUÊ?

-Não tenho a chave e…

Percebi um reboliço a movimentar-se a caminho da porta ao mesmo tempo que da casa do vizinho se ouviam protestos de quem tinha sido acordado antes da hora.

E primeiro que a minha se abrisse abriu-se a porta do vizinho, um gajo que trabalha nas docas na descarga de navios e que costuma fazer turnos até à meia-noite ou mais.

-Afinal que barulheira é esta?

-Olá vizinho, bom-dia…

-Bom dia o quê?! Você não me…

-Desculpe, desculpe! É que eu esqueci-me da chave e…

Foi então que a minha porta se abriu salvando-me mesmo a tempo do que quer que fosse o vizinho estivesse disposto a dar-me! Ele fechou a porta com estrondo e eu escapuli-me para dentro do apartamento empurrando-a contra a mesinha com o tampo de vidro coberta de revistas cor-de-rosa e de outras  cores, que se espalharam pelo chão. As revistas e os cacos de vidro do tampo de vidro da mesinha que não resistiu à súbita pressão dos glúteos dela.

Gritos e mais gritos protestando pela quebra da mesinha, por tê-la obrigado a acordar de madrugada, por se ter levantado sem necessidade própria, e até por já estar farta (diz ela) de me aturar.

Mais gritos do vizinho do lado e também dos vizinhos quer de cima, quer dos de baixo.

Corri à cozinha, agarrei nos dois molhos de chaves e baldei-me escadas abaixo em direcção à garagem.

Eentrei no carro, chave na ignição accionando o motor, marcha a trás e wrummm… KRÁSCHX!

Porra! Rebentei com a porta da garagem!

Na escada e das janelas do prédio ouviam-se os protesto gritados a plenos pulmões por tudo o que eram condóminos!

O meu vizinho, total e completamente descalço, surgiu da porta interior de acesso à garagem olhando-me como se fosse um lobo esfomeado que visse um cordeiro à frente.

Saí do carro, corri para a rua passando com dificuldade pela abertura entre a parede e a porta arrombada, e fugi o mais rápido que pude rua abaixo.

Ainda não era dia mas os candeeiros já estavam apagados; na paragem do “bus” algumas pessoas olharam (pareceu-me) assustadas.

Continuei ouvindo gritar atrás de mim o que me deu força para correr ainda mais sem me preocupar por onde o fazia.

O cão que dorme junto das caixas de fruta da mercearia da esquina levantou-se assustado obrigando-me a um salto acrobático para não cair ali porém fazendo-me desiquilibrar e a percorrer uns quantos metros aos tropeções até que me estatelei um pouco mais à frente, contra um carro patrulha da polícia ali estacionado, partindo um farolim trazeiro e “aplicando” uma mossa no capot do porta-bagagens.

Chegaram os agente da autoridade ainda eu estava por terra.

Olharam o carro, olharam para mim e disse um deles:

-Bonito serviço!

Menos mal, pensei eu, se ficou bonito...!

E disse o outro agente:

-Levante-se! Quem é você?

Confesso que me custou um bocado a levantar-me; tinha o tornozelo esquerdo torcido e não me podia apoiar no respectivo pé; acho que o braço direito estava torto e os dois pulsos não pareciam em melhores condições; da cabeça com dois ou três bocados de plástico vermelho espetados, escorriam-me fios de sangue.

-Xenhor guarda eu xou o xuxé e moro ali enxima naquele prédio no xêxto pixo e…

-Pouca conversa. A sua identificação sff

-Num tenho, deixei no carro. Xabe Xenhor guarda…

-Eu não sou guarda; sou agente da polícia!

-Poix poix, Xenhor agente, eu arrombei a porta da garaxe e depoix…

-Ah sim? Para dentro da viatura e vamos para a esquadra; e cuspa os dentes partidos antes de entrar que não queremos os estofos sujos porque não há dinheiro para limpezas.

Lá vim eu a caminho da esquadra sujeito a ser preso por danificar a viatura da polícia, e ainda ter que arcar com as respectivas despesas mais o arranjo da porta da garagem, e do carro, sem contar com os necessários meios de fuga de disfarce e de habilidade para conseguir escapar ao vizinho do lado.

Tudo isto por ter saído de casa à pressa para conseguir os dois bilhete para o concerto da Madona, que ela tanto pediu e que eu me esqueci de comprar!

E eu que nem gosto da Madona. Raios partam a Madona!

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mais visitados

  • FIQUEI SEM LUZ

    10 Março, 2021

    Caminho para casa num lusco-fusco quase noite, sob um céu azulado quase cinzento, por ruas (...)

  • OLHANDO O MAR

    12 Dezembro, 2017

    Olhando o teu vai-vem numa teimosia constante para chegares à praia em sussessivas ondas de (...)

  • NUM DIA DE INVERNO...

    28 Janeiro, 2017

    Cheguei a casa quando já dormias. Despi-me lentamente e deitei-me tentando não te (...)

  • COMO COMEÇAR UM CONTO?

    16 Setembro, 2011

    Não é sempre mas acontece-me muitas vezes ter ideias a não conseguir “deitá-las” cá (...)

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2010
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2009
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D