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UM AZAR NUNCA VEM SÓ!

por Kok, em 10.07.12

Tudo começou com um azar do caraças.

Antes que o relógio marcasse as cinco horas da manhã já eu estava sentado no carro com o volante à minha frente e preparado para “arrancar”.

Mas faltava-me a chave que deixara em casa sobre a mesa da cozinha onde estivera a beber um café nexpresso-Roma!

Já antes, e ao levantar-me da cama, sem acender a luz do candeeiro da mesinha de cabeceira, bati com o dedo mínimo do meu pé esquerdo num dos pés da cómoda o que me obrigou a gritar diversas e variadas interjeições de “alívio” e me levou a coxear até ao WC.

Após aliviar-me, pretendi aliviar a sanita do que lá depositei porém de água nem pinga; esquecera-me de pagar e factura no último dos últimos dias que tinha sido três dias antes. Abandonei a matéria em repouso e fui beber o café que fiz aproveitando um resto de água do luso que, na garrafa de plástico original, desde a passada semana descansava no frigorífico.

Saí tendo o cuidado de não bater com a porta; contudo a corrente d’ar foi mais forte que eu e… catrapum!

Ainda ouvi um resmungar de protesto vindo do quarto, mas nem liguei. Desci as escadas e entrei no carro que estacionara na garagem privada no dia anterior e cujas portas nunca trancava por isso mesmo: ser uma garagem privada. Quem é que tranca o carro na própria garagem?

Saí do carro deixando a porta aberta, subi as escadas e…

Porra, e as chaves?

Já sei: estão sobre a mesa da cozinha junto com as do carro.

Bati levemente na porta à espera que ela me ouvisse para a abrir, mas ao mesmo tempo sem grande barulho para que ela não acordasse. (??)

Nada; nem rumor!

Voltei a bater.

Nada.

Bati mais uma vez.

O mesmo resultado: nada!

E o tempo a passar e eu cada vez mais atrazado.

Bati novamente e desta vez com mais força.

-QUEM É?, gritou ela lá do quarto e seguramente sem se levantar.

-Sou eu…

-O QUE É QUE QUERES? DEIXA-ME DORMIR…

-Preciso de entrar e esqueci-me das chaves… disse eu num sussurro.

-O QUÊ?

-Não tenho a chave e…

Percebi um reboliço a movimentar-se a caminho da porta ao mesmo tempo que da casa do vizinho se ouviam protestos de quem tinha sido acordado antes da hora.

E primeiro que a minha se abrisse abriu-se a porta do vizinho, um gajo que trabalha nas docas na descarga de navios e que costuma fazer turnos até à meia-noite ou mais.

-Afinal que barulheira é esta?

-Olá vizinho, bom-dia…

-Bom dia o quê?! Você não me…

-Desculpe, desculpe! É que eu esqueci-me da chave e…

Foi então que a minha porta se abriu salvando-me mesmo a tempo do que quer que fosse o vizinho estivesse disposto a dar-me! Ele fechou a porta com estrondo e eu escapuli-me para dentro do apartamento empurrando-a contra a mesinha com o tampo de vidro coberta de revistas cor-de-rosa e de outras  cores, que se espalharam pelo chão. As revistas e os cacos de vidro do tampo de vidro da mesinha que não resistiu à súbita pressão dos glúteos dela.

Gritos e mais gritos protestando pela quebra da mesinha, por tê-la obrigado a acordar de madrugada, por se ter levantado sem necessidade própria, e até por já estar farta (diz ela) de me aturar.

Mais gritos do vizinho do lado e também dos vizinhos quer de cima, quer dos de baixo.

Corri à cozinha, agarrei nos dois molhos de chaves e baldei-me escadas abaixo em direcção à garagem.

Eentrei no carro, chave na ignição accionando o motor, marcha a trás e wrummm… KRÁSCHX!

Porra! Rebentei com a porta da garagem!

Na escada e das janelas do prédio ouviam-se os protesto gritados a plenos pulmões por tudo o que eram condóminos!

O meu vizinho, total e completamente descalço, surgiu da porta interior de acesso à garagem olhando-me como se fosse um lobo esfomeado que visse um cordeiro à frente.

Saí do carro, corri para a rua passando com dificuldade pela abertura entre a parede e a porta arrombada, e fugi o mais rápido que pude rua abaixo.

Ainda não era dia mas os candeeiros já estavam apagados; na paragem do “bus” algumas pessoas olharam (pareceu-me) assustadas.

Continuei ouvindo gritar atrás de mim o que me deu força para correr ainda mais sem me preocupar por onde o fazia.

O cão que dorme junto das caixas de fruta da mercearia da esquina levantou-se assustado obrigando-me a um salto acrobático para não cair ali porém fazendo-me desiquilibrar e a percorrer uns quantos metros aos tropeções até que me estatelei um pouco mais à frente, contra um carro patrulha da polícia ali estacionado, partindo um farolim trazeiro e “aplicando” uma mossa no capot do porta-bagagens.

Chegaram os agente da autoridade ainda eu estava por terra.

Olharam o carro, olharam para mim e disse um deles:

-Bonito serviço!

Menos mal, pensei eu, se ficou bonito...!

E disse o outro agente:

-Levante-se! Quem é você?

Confesso que me custou um bocado a levantar-me; tinha o tornozelo esquerdo torcido e não me podia apoiar no respectivo pé; acho que o braço direito estava torto e os dois pulsos não pareciam em melhores condições; da cabeça com dois ou três bocados de plástico vermelho espetados, escorriam-me fios de sangue.

-Xenhor guarda eu xou o xuxé e moro ali enxima naquele prédio no xêxto pixo e…

-Pouca conversa. A sua identificação sff

-Num tenho, deixei no carro. Xabe Xenhor guarda…

-Eu não sou guarda; sou agente da polícia!

-Poix poix, Xenhor agente, eu arrombei a porta da garaxe e depoix…

-Ah sim? Para dentro da viatura e vamos para a esquadra; e cuspa os dentes partidos antes de entrar que não queremos os estofos sujos porque não há dinheiro para limpezas.

Lá vim eu a caminho da esquadra sujeito a ser preso por danificar a viatura da polícia, e ainda ter que arcar com as respectivas despesas mais o arranjo da porta da garagem, e do carro, sem contar com os necessários meios de fuga de disfarce e de habilidade para conseguir escapar ao vizinho do lado.

Tudo isto por ter saído de casa à pressa para conseguir os dois bilhete para o concerto da Madona, que ela tanto pediu e que eu me esqueci de comprar!

E eu que nem gosto da Madona. Raios partam a Madona!

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publicado às 00:50


14 comentários

De aespumadosdias a 10.07.2012 às 08:16

A pressa é inimiga da perfeição.
E tudo por causa da "velha" da Madona.

De Kok a 11.07.2012 às 22:31

Mas "eu" não queria ser perfeito; só queria mesmo era comprar os #*º@##$§ dos bilhetes

De maria a 10.07.2012 às 13:59

Tantos azares, bolas...e tudo culpa da "mandona"...

Às 5h da manhã é difícil encontrar alguém simpático, nem o padeiro já o é eheheh

Seja como for, devias ter mais cuidado, contigo e com os que te rodeiam...ainda bem que não és meu vizinho....fogo!

Ficaste preso? ehehe

Beijinho :)

De Kok a 11.07.2012 às 22:37

Se fiquei preso? Acho que não! Mas se foi o caso depressa me libertaram. Acho que nem na esquadra me querem...
E ainda bem que tu não és do tipo de descarregar navios

Beijinhos e ssss

De golimix a 11.07.2012 às 17:12


Que trapalhada! Só de ti! Espero que da tua imaginação, porque tento azar é vodu!
Madona!?! A sério?

Achei piada e não pude evitar um sorriso cúmplice, alguém me explica porque é que quando precisamos que o parceiro acorde batemos à porta devagarinho e baixinho como se ao mesmo tempo não o quiséssemos acordar?

Bijix

De Kok a 11.07.2012 às 22:46

É isso mesmo, precisamos de ajuda mas não queremos acordar a "tal" pessoa. Feitios
Explicações? Não sei se há, mas nem arrisco um palpite: sairia asneira de certeza.

É tudo "ficçõn" e tudo se passou unicamente na minha cabeça! Que, esclareço, não teve -nem tem- bocados de plástico vermelho espetados!

Bejix

De Rosinda a 11.07.2012 às 21:08

Chiça tanto azar!!! E que grande imaginação...
E afinal, tudo por amor... Pois se queria comprar os bilhetes porque "ela" queria ver a Madona. Será?
Beijinhos
Rosinda

De Kok a 11.07.2012 às 22:50

Claro que seria tudo por amor, caso tivesse mesmo acontecido.
Mas é verdade que me levantaria cedo para conseguir os bilhetes (caso me tivesse esquecido).
Mas como "ela" nem gosta da Madona...

Beijinhos

De DyDa/Flordeliz a 13.07.2012 às 01:30

O amor é cego....
A pressa má conselheira...
E o XoZé um grande fiteiro.

Nem que fosse a Madona a ordenar te levantarias mais cedo, quanto mais, pelo esquecimento de um bilhete para a Maria?!...

Não há despertar que aguente uma imaginação com tanto azar acumulado

- Eu também me esqueci de comprar e até gostava de assistir ao espetáculo, acontece que estando bem acordada tive medo de cair e ficar empenada da carteira.
- É a vida!
Não sou afilhada de ministro. O meu padrinho, por acaso bom homem e até muito prendado, era apenas um electricista.

Beijoka sorridente com tantos acontecimentos para um único amanhecer.

De Kok a 13.07.2012 às 15:48

Não sou nada fiteiro. Fica sabendo que seria capaz de nem dormir para conseguir o que a "Maria" me pedisse. Enfim, nada de exageros...
Mas como nunca tal aconteceu, os tais pedidos extra-fenomenais...
Não aprecio a Madona a ponto de comprar o bilhete, ainda que perceba que o concerto é mais do que a dita cuja!
Mas para assistir a outros já contribui com alguns €uros! E (o mais importante) gostei!

Beijos

De Carla brito a 18.07.2012 às 16:29

Bemm!
Isso é que foi um começo de dia!!!
Xiça!

De Kok a 18.07.2012 às 22:21

Olá! Agradeço a visita. Afinal é também para quem nos visita que mostramos nesta rua blogosférica o que imaginamos, vemos ou pensamos saber.
E porque a entrada é grátis e as companhias são excelentes, estás à vontade; aparece quando quiseres.
Bêjos e sorrisos!

De Rui da Bica a 01.08.2012 às 20:42

Chiça !!!... Há manhãs em que durante a tarde não se pode sair à noite ! ehehe
Realmente está uma fiqueçõn muito completa ! Dificilmente poderia ser pior !
eheheh
.

De Kok a 02.08.2012 às 18:10

Felizmente que é tudo ficçõn e imaginaçõn!

1 abraço!

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