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O ESCRITOR...

por Kok, em 06.06.12

...que não sabe escrever

não é velho nem é novo!

É alto e magro, de costas arqueadas olhando o chão parecendo andar procurando algo, de cabeça ovóide de onde se destacam umas enormes orelhas que tenta cobrir com os ralos cabelos (deixados alongar propositadamente), que lhe contornam o crânio, qual aureola de santo, deixando à vista uma careca bicuda e luzidia e sem quaisquer vestígios capilares.

A roupa parece ser sempre a mesma, escura, em diversos tons de cinzento, destacando-se do conjunto um cinto amarelo que mais lhe estreita a estreita cintura.

Nunca ninguém o viu usando chapéu, nem mesmo durante os dias frios de inverno quando as temperaturas são menos agradáveis, porque gosto de andar de cabelos ao vento…

Caminha constantemente ora pelas ruas estreitas da cidade antiga olhando as janelas de onde se soltam conversas e se prendem as roupas acabadas de lavar, ora pelas margens do rio visitando as docas e os bares onde marinheiros e pescadores se encontram, ouvindo-lhes as vidas navegadas por mares calmos ou revoltos, tendo em cada um uma fonte de inspiração, ora pelas largas e ruidosas avenidas da cidade nova onde vidas se cruzam sem, efectivamente, se cruzarem, ora pelos jardins onde –em bancos às tiras pintadas de verde- os novos namoram e os velhos adormecem.

Guarda tudo na memória e de tudo vai construindo um romance.

tem vários:

O Dog! O pick nick!, As 24 horas duma vida! Em direcção à nascente! Enfim, vários.

Todos acabados mas também prontos para serem continuados porque há sempre novas ideias que podem completar o que, aparentemente, já estava completo.

Completo mas não terminado, é o que sempre afirma.

Nos seus romances os finais são sempre bons.

Não importa os que aconteceu antes nem durante. Os finais têm que ser sempre bons. Bons e felizes! Ou engraçados que é mais uma forma de felicidade.

Porque, diz ele, a vida já é suficientemente difícil e até trágica e eu estou farto de tragédias. Os meus romances têm que ser bonitos e devem transmitir esperança e bem estar e terminarem como terminam; como eu quero; como eu os imagino!

Por isso continua caminhando na sua cidade, inventando o seu mundo onde todas as vidas são vividas na harmonia que ele próprio cria e quer!

Tudo vai ficando gravado na sua mente ao mesmo tempo que percorre o seu caminho, um caminhar que nunca acabará enquanto ele mesmo não acabar.

Tem, porém, um desgosto: não saber escrever, para escrever o que imagina.

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publicado às 16:00


6 comentários

De Rosinda a 06.06.2012 às 17:58

Ele, o escritor... pode não saber escrever, mas tu sabes!
Gosto deste teu lado mais sério. Gostaria com certeza de ler um livro escrito por ti...
Beijinhos
Bom fim de semana
Rosinda

De Kok a 11.06.2012 às 17:18

Obrg.
Eu também gostaria que lesses um livro escrito por mim. Mas ainda me falta escrevê-lo e publicá-lo.
Podes sempre ir lendo alguns textos que fui deixando por aqui!

Beijinhos rodeados de carinho e de sorrisos!

De golimix a 07.06.2012 às 10:04

Também tenho muitas histórias imaginadas presas em mim, não sei se não querem sair ou se eu não tenho a habilidade para as fazer surgir.
Tu tens de certeza uma habilidade.
Gosto muito dos teus textos, mas isso já sabes senão eu não pintava por aqui

Bijix com um incentivo, igual ao da Rosinda, escreve um livro

De Kok a 11.06.2012 às 17:25

A capacidade que acreditas que tenho levam-me a escrever estas histórias mais ou menos curtas.
Não sinto que possa ir mais além disso, até porque quase sempre sinto uma pressão (interior) para chegar rapidamente ao fim.
Mas quem sabe? Se dentro de mim não está adormecido um Saramago?

Bejix e sorrisix six six six

De maria a 10.07.2012 às 13:55

Como eu compreendo este escritor...também gosto de finais felizes, pena não saber escrever, nem mesmo as coisas que me vão na alma...umas porque não têm, ou não sei dar-lhes, um final feliz, outras porque não sei por onde começar..."Era uma vez..."até é fácil, o pior é dar continuidade...

Gosto do que escreves :) Já te tinha dito isto alguma vez?

Beijinho :)

De Kok a 11.07.2012 às 22:29

Tu sabes escrever. Não penses como iniciar. Começa, simplesmente... e mesmo que tenhas dúvidas insiste (ou melhor, teima) e depois tudo se irá compondo.
Mas que sei eu!? Só refiro o que eu faço e que (eu sei) nem sempre resulta.

Já disseste, já! E não foi só uma vez! E eu acredito! E "sabe" bem saber

Beijinhos

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