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O FECHO DO SUTIÃ

por Kok, em 28.01.15

Sutien

Já a tinha visto por ali, umas vezes rodeada de gajos e gajas ruidosos, betos e "betas". Outras vezes só, encostada no canto do balcão beberricando lentamente margaritas, de olhar perdido pela sala, alheada dos temas musicais que os DJ's punham "no ar" acreditando estarem na preferência dos bailadores cujos movimentos quebradiços acompanhavam desordenadamente ritmos que, acredito, nem os ouviam.

Não era muito alta, talvez 1,65m, meio magra seja lá isto o que for mas é como eu a via, cabelo castanho escuro, pescoço longo, mamas de bom tamanho (mais uma vez é como eu a via), cintura marcada o suficiente para perceber que as ancas e os glúteos formavam uma harmoniosa área convidando à exploração. Claro que o que mais me chamou a atenção foi o rosto muito belo e onde cada elemento se tornava num prazer só de olhar; os olhos muito azuis contrastavam com as pestanas muito longas e negras (percebi depois que a culpa era do rimel) e as sobrancelhas absolutamente simétricas; o nariz, levemente arrebitado dava-lhe um adorável ar de  "menina marota"; os lábios (ai os lábios...), carnudos e perfeitamente desenhados impeliam-me a beijá-los... a beijá-los... a beijá-los eterna e consecutivamente.

Hoje decidi-me e, aproveitando o facto de ela estar só, avancei. Escostado ao balcão mesmo ao lado dela, pedi uma cerveja e olhando-a sedutoramente (pensei eu) disse-lhe:

-Olá, posso oferecer-te outra margarita?

Olhou-me surpresa e respondeu-me:

-Òh pá, deixa-te de merdas!

Desarmou-me. Fiquei assim, sem saber o que responder e (acredito) de boca aberta que nem peixe fora d'água.

O barman trouxe-me a cerveja, marcou no cartão para pagar à saída e, piscando-me um olho, foi-se. Senti estar fora de pé sem boia onde me agarrar e sem nenhum barco à vista.

De súbito uma gargalhada; só eu a ouvi mas tenho a certeza que foi uma gargalhada; fora ela a rir-se e olhando-me divertida ao mesmo tempo afagando-me o braço (no caso o direito) disse-me:

-Não sejas parvo pá; claro que quero outra margarita!

Foi um alívio; afinal apareceu o barco para me salvar. Falámos sobre coisas desinteressantes e de ideias ainda menos interessantes e, já no final da noite quando a madrugada era quase manhã, saimos juntos da "discô".

Foi aquele momento de: a tua casa ou a minha? E lá fomos, para uma delas, a dela!

Beijámo-nos com paixão, paixão essa que foi aumentando de intensidade a cada beijo. Fomo-nos despojando dos texteis que nos cobriam com a rapidez que podiamos e sabiamos, (nunca pensei ser tão difícil desabotoar uma camisa). Ela livrou-se dos sapatos e das meias meias (não cheguei a perceber o que era). Eu ajudei à saída do vestido e eis chegado o momento que eu mais temia: o sutien! O fecho do sutiã é o meu trauma; nunca percebi como aquela geringonça funciona; todavia e decidido desta vez a ultrapassar a coisa, abracei-a e tateando lá fui ao sítio, puxei e puxei, torci o mais que pude (aquilo é tudo elástico), até que ela me disse:

-O fecho é na frente pá!

 Larguei o raio da coisa que lhe estalou nas costas;

-Porra pá, isso doeu-me! Fod...

Não chegou a acabar a frase porque entrou na sala um gajo, bem aviado de músculos, que disse:

-Então querida, que raio de merda é esta? Já não se pode dormir sossegado?

-Ò querido desculpa; vai-te deitar que eu já vou! E olhando-me com ar reprovador disse:

-Vês o que fizeste? Acordaste o meu marido e assim nada feito; vai-te embora! Pira-te!!

E eu saí. Confuso? Evidentemente que fiquei confuso. Confuso e assustado que o gajo tinha músculos que se fartava. Estava a vestir-me na escada (sem as peúgas que não encontrei), abotoando a camisa, quando uma vizinha dela chegando "da noite" me olhou de alto a baixo (lascivamente, acreditei eu) e me perguntou:

-Olá... então está perdido? Hummm... Não me quer fazer companhia... num breakfast in bed?

Pensei: bem isto se calhar até pode acabar bem.

-Querer eu quero, até calhava bem, mas diga-me: usa sutiã?

-Como?, Se uso sutien?, Claro que sim...

-Então não quero!

E, continuando com a camisa por abotoar e peúgas por encontrar, saí porta fora; porque raio é que os sutiens têm fechos?

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publicado às 00:01

É DO CALOR...

por Kok, em 01.01.15

A culpa é do calor!

Deste calor que não me dá descanso, nem de dia, nem de noite!

A culpa do calor!

Era um sábado quente e húmido; um sábado quente com um calor húmido e pegajoso. Pela manhã, bem cedo, já se sentia aquela atmosfera sufocante.

Que chatice!, pensei quando acordei, não devido ao calor mas simplesmente por ter acordado; podia perfeitamente ter continuado dormindo pois a minha contribuição para que o mundo continuasse a girar é completamente irrelevante. Mas o que é certo é que acordei. E o facto de ter acordado depois das dez da noite não minimizou a chatice. E, chateado por chateado, levantei-me, vesti a primeira t-shirt que agarrei e os jeans pendurados de véspera na cadeira de verga que era uma espécie de roupeiro, e sai de casa.

Mas não fui muito longe.

Voltei a entrar para calçar os ténis cuja cor e os cordões de aperto se perderam  nos vários anos de uso.

Estava irritado, chateado, com vontade de bater em alguém.

Carros passavam por mim, apressados, como se estivessem atrasados para chegar onde quer que quisessem chegar, e faziam-no em direcções opostas, para lá e para cá, com buzinadelas e gritos insultuosos abrangendo os pais, as mães e toda a restante família dos que pela frente lhes surgiam.

Entrei num bar e lembro-me de ter bebido uma cerveja e depois outra, e depois ainda outra.

Sentado ao balcão de outro bar bebia uns whiskies e sem saber como dei por mim a ouvir a história de vida de uma gaja, completamente desconhecida para mim, que choramingando contava ter sido abandonada pelo namorado quando ele soube que uma prima (dele) a seduzira mas que ela até gostava dela (da tal prima dele), e que agora já não sabia de quem gostava, e que…

Saltei fora daquele enredo antes que fosse tarde e caminhei horas por ruas, becos e travessas, sem destino; ou então o destino seria esse mesmo, de caminhar somente por caminhar, até que os vapores dos diversos álcoois, se desvanecessem.

O calor húmido, pegajoso, abafado, envolvia-me até aos ossos.

A “sede” atormentava-me a cada passo e a cada passo que dava crescia aquele desejo de bater; de bater em alguém; de bater em qualquer coisa.

Em cada viela a porta de um bar abria-se “convidando-me para mais uma”.

E eu aceitava-a!

Aproximava-se o fim da noite e os bêbados deitados nos passeios, ou caminhando aos tombos, aguardavam o amanhecer.

Na noite, mal iluminada por candeeiros altos cuja luz mortiça de nada servia, vi-os caminhando na minha direcção. Eram três. Percebi que o da frente era o “macho” dominante enquanto que os outros dois não passavam de reverentes servos, qual côrte idolatrando o seu “deus”!

O passeio era estreito e alguém tinha que se desviar. Continuei caminhando em direcção ao trio até que ficámos frente a frente, cada um de nós esperando que o outro se desviasse.

Não o fiz. Eles também não. Avançámos!

O “macho” colocou-me a mão no peito empurrando-me.

Agarrei-lhe no pulso e torci-o forçando-o para baixo até ele estar quase ajoelhado à minha frente, golpeei-o raivosamente na cabeça com a minha outra mão e, quando ele já estava estendido no chão, pontapeei-o selvaticamente na cabeça, no peito, em todo o lado que entendi pontapear.

Os “dois servos” desapareceram, “evaporaram-se”, sumiram-se…

Continuei caminhando deixando o “macho”, escorrendo sangue, prostrado meio no passeio meio na rua, gemendo.

É este tempo quente, húmido, pegajoso e sufocante que “me obriga” a fazer coisas más.

Por isso eu sabia que hoje “tinha” mesmo que bater em alguém!

E continuar caminhando.

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