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A CAMINHADA...

por Kok, em 20.11.13

...que não parecia ter fim!

Por cada passo que dava mais passos tinha que dar.

E tinha mesmo que os dar. E dava. E caminhava cada vez com mais vontade, mas com mais vontade de desistir a cada passo. De cada vez com menos alento mas cada vez mais decidido, um pé depois de outro, teimosamente, determinado a chegar ao fim da “malvada”  estrada onde árvores de espessas ramagens seriam uma bênção porque o sol abrasador era um tormento para qualquer viajante. Ainda assim dei por mim pisando-a. Não sabia as horas mas tinha a certeza que o meio dia “já lá ia.” Sentia os pés “em brasa” dentro de umas daquelas peúgas de algodão barato, enfiados nuns ténis de fancaria; os calções em tecido de reles imitação de caqui mantinham-me as virilhas e todo o “equipamento circundante” numa sauna permanente. A T-Shirt azul escura atada à volta da cabeça, cuja frontaria –a da t-shirt evidentemente- mostrava uma gaja desconhecida, nua, camuflada entre folhas de couve lombarda, servia-me de boné na falta de um verdadeiro boné.

Por isto o meu nada musculado tronco mostrava-se em toda a sua plenitude acima dos mencionados reles calções e até à base do meu “esbelto” pescoço.

Ao redor nem vivalma. Vacas, ovelhas ou cabras, nem uma para amostra. Nem pássaros piando se ouviam. Só o xrek xrek xrek dos meus passos sobre os grãos de terra e das minúsculas pedras arredondadas que compõem a estrada, era audível. Continuei caminhando, um passo após outro, com vontade de parar; porém desejando chegar ao fim. Ao fim desta estrada cujo fim não parecia ter fim! Por teimosia. Por vontade ainda que contrariado? Não. Por obrigação. Preferia ter continuado à sombra, deitado na cama de rede que me trouxeram do Brasil anos atrás. Porém a minha preferência nem sempre se acerta com a minha obrigação. E a minha obrigação era ter posto gasolina do depósito do carro, hoje de manhã quando fomos à praça comprar as sardinhas para o jantar. Mas não o fiz. Ponho à tarde, disse eu convicto de que a que restava dentro do depósito “ainda dava”

Não deu!

E quando me disseram que faltavam os pimentos para a salada, e também a alface frisada, e o pão e o vinho…

Eis a razão porque estou caminhando nesta estrada que não tem fim, debaixo de um sol abrasador, com um jerry-can plástico de 10 litros a caminho da próxima estação de serviço para regressar e…

Acabo por aqui pois o resto já se adivinha: terei que “palmilhar” o percurso inverso e com o jerry-can carregado!

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publicado às 16:30


14 comentários

De maria a 20.11.2013 às 21:42

ehehehehehhehdeh

Pobre sinhor

Muito bom

Beijinho :)

De Kok a 29.11.2013 às 16:03

É o que acontece a quem confia mais na sorte do que na realidade!

Beijinhos com sorrisos!

De golimix a 24.11.2013 às 23:16

Pois é... há tipos com essa mania!!!

Agora imagina um tipo destes no meio da antiga IP4 e ao anoitecer!

Tás a imaginar?



De Kok a 29.11.2013 às 16:06

Imaginar eu sou capaz, mas seguramente não chegarei lá perto...
E ao anoitecer? Que medo...
Mas o que vale é que já passou, né?

Bejix

De golimix a 29.11.2013 às 19:01

Andas meio fugido... já voltaste?

De Kok a 29.11.2013 às 21:04

Meio fugido? Mas como é que se pode andar meio fugido?
Até me assusta imaginar-me meio fugido: metade de mim aqui sugadito e a outra metade a correr desarvorada rua fora...
É cá um susto...

Bejix

De Kok a 30.11.2013 às 14:52

Eu? Moi? Je? Nã nã nã...
Tu é que foste da ideia. Eu só m'imaginei...

Bjix

De maria a 02.12.2013 às 23:00

eheheheheh ganda doido kok, meio sugadito e meio a correr

Beijinho :)

De Kok a 03.12.2013 às 14:58

Pois
É que só de imaginar já assusta; se fosse realmente real seria com toda a certeza um real susto, de ficar com os cabelos em pé!

Beijinhos & sorrisos, inteiros!

De Existe um Olhar a 06.12.2013 às 20:24

De repente tive pena, muita pena da descrição pormenorizada das condições em que esse homem entroncado teve de palmilhar com um sol abrasador, não sem contudo dar umas valentes risadas a imaginar a figurinha...nem uma boleia? Isso passou-se no deserto?
Calculo que para a próxima haja uns litritos de combustível suplentes, isto se continuares a palmilhar estradas sem fim.
No fim ainda tiveste vontade de te amandares ao petisco, ou foste a correr para a espreguiçadeira?

Beijinhos e sorrisos encalorados

De Kok a 07.12.2013 às 21:21

O fim a espreguiçadeira? Era bom, era...
Nada disso; foi necessário ir comprar "os adereços" para completarem a travessa das sardinhas assadas, depois acender o fogareiro para assá-las (isto escreve-se assim?), e quase quase que também me calhava lavar a loiça.
Quase; mas "alguém" teve a gentileza de me poupar dessa cláusula!
E não, ninguém me deu boleia apesar de não ser num deserto que a coisa se deu. Aliás, a estrada foi mesmo a que a foto mostra.

Beijinhos caminhando entre sorrisos

De Cris a 20.12.2013 às 20:43

Parece cansativo, mas convenhamos que se pôs a jeito para essa situação acontecer... :p

De Kok a 24.12.2013 às 00:30

Pois! A mania que os homens têm de saberem sempre tudo!

Beijos com sorrisos!

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